
“Evitar compra de votos é assim, botar o gado no curral, entendeu?”. Na ronda noturna com os promotores eleitorais de Delmiro Gouveia para garantir o cumprimento do toque de recolher, o trabalho era literalmente de “enxotar” as pessoas que se “atreviam” a desrespeitar uma decisão em princípio anticonstitucional, que fere o direito de ir e vir.

Demiro Goveia, município do sertão alagoano, reuniu ingredientes amargos para as eleições municipais de 2008. Na receita: assassinato de vereador com motivações políticas; prisão de um dos candidatos à Prefeito acusado de mandante; compra de votos na madrugada; presença do Exército; toque de recolher decretado às pressas.

A descrição mais recorrente de compra de votos em Delmiro Golveia é a compra de votos na madrugada: “as pessoas ficam nas portas das casas, não todos, mas uma boa parte, esperando políticos passarem”, segundo Fábio Rodrigues, que chegou a ver colchões nas ruas de madrugada.

No meio da noite da véspera de eleições, parte da população de Delmiro Golveia foi pega de surpresa: depois da meia noite não seria permitido sair de casa. Toque de recolher, decretado às pressas em Delmiro Golveia. Uma outra parte dos delmirense só ficou sabendo da proibição de ficar fora de casa no dia seguinte ou abordada pelos brados do promotor eleitoral Paulo Zacarias na madrugada do 05 de outubro.

EM CONSTRUÇÃO
/div>
Mais de Delmiro Gouveia (AL):
- Toque de recolher para “botar gado no curral”
- Assassinato, prisão e Exército
- Perseguição entre as coligações motiva toque de recolher
- Eleições 48 horas
- Compra de votos na madrugada
Mais multimídia:
- Todos os vídeos
- Todas as galerias
- Mapa do trajeto