|
Ao contrário de outros coronéis tardios, que não sobreviveram à modernização do país, Francisco Heráclio do Rego, o Coronel Chico Heráclio, soube usar as mudanças vividas pelo país entre as décadas de 1930 a 1960 (abertura de canais de comunicação e transporte com a capital, decadência da importância do setor agrário, aumento da importância do setor de serviços e desenvolvimento industrial) para manter seu poder. Alguns de seus métodos eram coação, adulteração de documentos, favorecimento pessoal aos eleitores. Na sua época, Limoeiro foi município de prestígio econômico. Chegou a ser uma das maiores economias de Pernambuco (hoje tem o 32º PIB do Estado), tendo produzido muito algodão – cultura que foi destruída pela praga do bicudo. Além de ter perdido importância econômica, a infra-estrutura urbana de Limoeiro se tornou muito carente. O Rio Capibaribe, que corta o município, é atravessado por uma ponte de mão dupla com apenas uma faixa (para os dois sentidos). O abastecimento de água está prejudicado e chega a cessar. A desigualdade social é visível: bairros muito pobres convivem com um bairro muito rico, cujas casas não perdem em nada para as grandes mansões dos bairros ricos das metrópoles.
Sob o mando de Chico Heráclio, Limoeiro também viveu o auge de seu prestígio político. Além de eleger prefeitos em Limoeiro e região e de fazer a carreira política dos filhos Francisquinho e Heráclio (deputado estadual e federal, respectivamente, por diversos mandatos), o Coronel exerceu influência decisiva na política pernambucana e chegou até a receber a visita de Juscelino Kubitschek (o primeiro presidenciável a visitar Limoeiro; o segundo foi Aécio Neves). Para garantir a eleição dos seus candidatos “o processo é muito simples”, disse o próprio coronel à Revista Manchete, resumindo as estratégias de coação, fraude e favor: “Eu e mais alguns amigos damos transporte aos eleitores. Mando um boi para cada seção eleitoral e às vezes mando cachaça para depois das eleições. Não admito fiscal de nenhum partido. Eleição em Limoeiro tem que ser feita por mim. Sempre fiz e nunca me dei mal”¹. Outra arma política de Chico Heráclio era propaganda e difamação em formato impresso: os famosos panfletos do Coronel. Quase sempre o conteúdo desses panfletos eram ofensas a rivais – com muito palavrão – ou exaltação de si e dos seus candidatos. Como Chico Heráclio era analfabeto, o texto era ditado. Ora os panfletos eram anônimos, ora tinham foto de Chico Heráclio e firma reconhecida. Eram distribuídos pelo próprio Coronel pela janela de seus carros ou entregue por correligionários. A estratégia dos panfletos foi copiada nas eleições de 2008 pelo candidato Zé Higino. Um deles, que recebi “quentinho” – recém-saído da gráfica – em visita ao comitê eleitoral do candidato, e que foi distribuído em uma passeata de campanha, abordava justamente a polêmica da retirada dos banners do PSDB com Lula durante a visita de Aécio. 1. Citado em “A construção de um líder político: Francisco Heráclio do Rego, Limoeiro, 1945 a 1955″, Márcio Ananias Ferreira Vilela |
Mais de Limoeiro (PE):
Áudios:
Galeria: Mais multimídia: |



maria aparecida
oi gostaria de biografia sobre o coronel estou montando um projeto de mestrado sobre o coronelismo em Limoeiro e a figura chave é Francisco Heráclio. Muito obrigada. Parabens pelo site!!!!!! É SHOL!!!!!!!!!
ago 01, 2009 @ 14:16
maria aparecida
gostei muito do vídeo relacionado a Chico Heráclio é SHOWWWWW vai me ajudar muito. Podem me informar onde mora o senhor Manoel Gomes da Silva,ele seria uma boa fonte oral.
ago 01, 2009 @ 14:31
vital teotonio
é á politica em limoeiro, é muitas vezes ou melhor em sua maioria algo nogento, vivi minha infançia em limoeiro, e lembro-me um pouco de Arthur correia um dos matadores desta terra entre tantos outros coroneis inrustidos e covardes, infelismente.
ass; blog; voz que clama na web
set 29, 2009 @ 20:47
Joao do Carmo
P bom dia Sr leitor, motivado de alegria que eu vos escrevo,em primeiro lugar gostaria de parabenizar os formuladores desse site e em carater especial essa materia e informar que ainda eu tenho o previlego de ouvir a historia do Sr Coronel Chico Heraclio contada pelo um ilustre filho da terra de Limoeiro o Sr Joao Joaquim do Carmo meu pai. o Coronel ajudou muita gente no dia 21 de dezembro de 2009 meu pai completou 89 anos. Ele e um retirante de Limoeiro e conheceu bem o Coronel,o meu avo era uns dos homens de confiança do Coronel, por isso ainda eu vou prestar uma homenagem a ele , fiquei sabendo que ele alimentou minha mae com leite de cabra por muitos anos.Eu acho que meu pai e uns dos mais antigos que conviveu de perto com o Coronel. Por favor responda esse email.Abraços . Carmo.
dez 30, 2009 @ 10:25
eilzo matos
Residi no Recife onde estudei e me formei em direito. Conheci na faculdade o paraibano Vital do Rego, filho de Veneziano que era casado com uma campinense. Deixou ilustríssima descendência. Gostaria de saber, se Veneziano era filho, sobrinho, irmão, o grau de parentesco, enfim com o coronel de Limoeiro Chico Heráclio de quem muito ouvi comentários na imprensa política pernambucana no tempo que estive no Recife. Agradeço informação para o email acima. Eilzo Matos. Agradço i
fev 09, 2010 @ 8:39
EDI CARLOS
É a vida é assim, lembro me quantas vezes sai da escola que tanto amo, ESTADUAL e fui para a beira do rio capibaribe exatamente onde a chacara ( sitio ) de Chico Heraclio ali estavamos todos roubando frutas para poder comer em uma tarde de sol, la havia seguranças e o medo era enorme, imaginem crianças tentando ter uma tarde feliz brincando correndo sendo feliz e ao mesmo tempo conviver com o medo dos capangas do Todo Poderosa Chico Heraclio…Confesso que não tive medo um frio na barriga talvez, mais medo nunca escrevo isso e lembro como se fosse hoje, queria tanto que meu filho tivesse o que eu tive, embora pobre antes e hoje com mais condições de vida mais aquilo sim era vida imposta regras mais sem essas não seriamos ninguém, obrigado Limoeiro por me criar.
Alto do redentor ainda volto la para pagar algumas promessas que ainda estão pendentes, igreja Matriz que saudade.
Te amo Limoeiro
Aos meus parentes que ainda residem na cidade um forte abraço e aos meus colegas da cidade um dia nos encontraremos
jun 01, 2010 @ 10:43
Eduardo Alexandre
Nasci e me criei na Rua da Matriz, na casa do Badejo, e lembro bem de todas as manhãs, passava, em seu Dodge azul, o Cel. Chico a caminho da barbearia de Seu Antonio Barbeiro, do qual era compadre, religosamente ser barbeado. O mesmo cel. chico, isso mesmo em minúscula, que no dia 15 de novembro de 1966, por articulasão de Isaura Benga, mandou Amaro da Foice, Zé de Dona Cosma e mais seis de seus aceclas, assassinarem meu pai Eduardo Ferreira de Souza, conhecido com Eduardo de Mirocha, pelo simples motivo de contrariar os seu interesse políticos.
Eu acho que o nome deste fascinora deveria ser estirpado da historia de Limoeiro, da qual ele sempre foi um entrave, para o desenvolvimento da cidade, com sua violência.
Com repúdio ao nome deste…
Eduardo Alexandre da Silva
jul 26, 2010 @ 23:10