
“Evitar compra de votos é assim, botar o gado no curral, entendeu?”. Na ronda noturna com os promotores eleitorais de Delmiro Gouveia para garantir o cumprimento do toque de recolher, o trabalho era literalmente de “enxotar” as pessoas que se “atreviam” a desrespeitar uma decisão em princípio anticonstitucional, que fere o direito de ir e vir.

A platéia aguardava ansiosas no Colombo, melhor salão de eventos de Limoeiro. Era um grande evento político. Afinal, os habitantes do pacato município de 56 mil habitantes, no agreste de Pernambuco, seriam anfitriões de um governador presidenciável. De olho na corrida presidencial de 2010, Aécio rodou o Nordeste, onde é pouco conhecido.

“Um clássico de futebol”. Essa é a metáfora mais usada pela população de Itabaiana para definir a disputa pela prefeitura em 2008. Diariamente durante três meses foram realidadas caminhadas políticas que atraíram multidões às ruas – proporcionalmente, é como se em São Paulo 550 mil pessoas fossem às ruas todos os dias para participar da campanha.

O nome Severino Cavalcanti ficou conhecido nacionalmente em 2005, com sua breve e polêmica passagem pela presidência da Câmara dos Deputados, encerrada após as denúncias do mensalinho. Mas sua cidade natal em Pernambuco pouco se refere a ele por Severino ou por Cavalcanti. Lá, ele é Seu Zito, o lambuzinho de João Alfredo.

Entre 2004 e 2010, sete pessoas ocuparam o cargo de prefeito de Januária. A maioria foi afastada devido a envolvimento em casos de corrupção, por exemplo, a máfia das sanguessugas. Os afastamentos e cassações são resultado da soma de esforços de um Ministério Público atuante e de uma ONG criada para combater a corrupção. Assista no documentário “Velha Januária”.

Veja o mapa do trajeto percorrido de ônibus entre 5 de setembro e 6 de outubro de 2008. Primeira parada em Januária (MG), abalada pela corrupção. Em seguida, Itabaiana (SE) com sua política à flor da pele. Um pulo em João Alfredo (PE) de Severino Cavalcanti, e em Limoeiro (PE), terra do último coronel. Parada final em Delmiro Gouveia (AL), que teve toque de recolher.